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Acordo garante restauração integral da igreja de Nossa Senhora da Conceição em Camargos


Obra na matriz do distrito de Mariana, reconhecida como monumento nacional pelo Iphan, faz parte das ações compensatórias

12/04/2019 às 13h56

Um dos mais antigos templos de Minas Gerais, a igreja de Nossa Senhora de Conceição, construção do século 18, localizada no distrito de Camargos, a 15 km do centro histórico de Mariana (MG), será integralmente restaurada. As obras de recuperação arquitetônica e dos elementos artísticos serão executadas pela Fundação Renova como condicionante da anuência expedida pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Mariana (Compat), parte do processo de licenciamento das obras de reassentamento de Bento Rodrigues, aprovado em maio de 2018.

As obras de reassentamentos fazem parte das medidas de reparação dos impactos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, previstas no Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC). Os termos do acordo que viabiliza o restauro da igreja de Camargos foram acertados com o Compat. As obras têm o aval do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Prefeitura de Mariana.

 

A assinatura da ordem de serviço acontece neste sábado (13/4), às 15h, em uma cerimônia no Santuário de Nossa Senhora do Carmo, localizado na praça Minas Gerais, em Mariana.


Construída por volta de 1707, a igreja de Nossa Senhora da Conceição, por suas dimensões arquitetônicas, é considerada um dos grandes templos de Minas Gerais. Situada no alto da colina, ela possui no interior um conjunto de talha característica da primeira fase do barroco, estilo nacional português. Desde 1949, a igreja é reconhecida pelo Iphan como monumento nacional.


Apesar de sua importância histórica, a igreja estava fechada desde 2014, à espera de recursos para restauração do PAC 2 – Cidades Históricas, verba que ainda não foi liberada. Em 2017, foram empregados cerca de R$ 400 mil em obras emergenciais, com recursos do Fundo Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural, a partir de repasse do Imposto sobre Comercialização de Mercadorias e Serviços (ICMS Cultural).


Segundo a arquiteta restauradora Danielle Lima, especialista do Programa de Memória da Fundação Renova, a restauração da igreja de Camargos, desta vez, será completa, abrangendo elementos arquitetônicos e artísticos. “É uma intervenção importante para preservação desse monumento de enorme significado para o acervo histórico e cultural da comunidade”, afirma Danielle Lima.

 

Lígia Pereira, gerente do território da Fundação Renova, informa que o projeto de restauração da igreja de Camargos foi desenvolvido com recursos do PAC e que a Fundação irá executá-lo. “Entendemos que a restauração dessa igreja não é, simplesmente, uma ação prioritária e necessária de preservação de um monumento histórico, mas uma resposta da Fundação Renova aos impactos indiretos sofridos pela comunidade, particularmente aqueles relativos à interrupção dos fluxos turísticos. É uma importante medida de reparação da cultura e dos modos de vida da comunidade de Camargos”, diz Lígia Pereira.

 

História

A igreja matriz de Nossa Senhora de Conceição teve a sua construção iniciada por volta de 1707, quando se verificava a grande afluência de paulistas e portugueses atraídos pela descoberta do ouro na região. O término da obra ocorreu, provavelmente, em meados do século 18.

 

A construção pertence ao grupo típico de antigas matrizes mineiras de princípios do século 18. De fachada modesta, a igreja guarda sua opulência artística em seu interior, que apresenta um dos mais significativos conjuntos de talhas (obras de arte esculpidas na madeira) do período colonial. O primeiro pavimento corresponde à nave, capela-mor, átrio, corredores laterais e sacristia. O segundo pavimento é formado pelas tribunas e coro.

 

A capela-mor, em adobe, pode ter ainda vestígio da primitiva capela existente no local. A parte da nave parece ter sido construída em pedra, com nichos para capelas laterais profundas. Internamente, apresenta aspecto característico das igrejas das proximidades de Mariana. Conforme o Inventário de Proteção do Acervo Cultural do Iepha-MG (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais), o antigo forro deveria conter boas pinturas artísticas, como as que ainda se encontram logo acima do arco-cruzeiro, na face voltada para a nave.

Foto: Divulgação / Fundação Renova.


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