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Produtores rurais cultivam mudas nativas para reflorestamento da bacia do rio Doce


As espécies são criadas com tecnologia pioneira da UFV e serão adquiridas pela Fundação Renova. Ação visa diversificar a renda das famílias da zona rural

22/07/2020 às 13h53

O cultivo de mudas de espécies nativas para auxiliar no reflorestamento de áreas atingidas pelos rejeitos do rompimento da barragem de Fundão é a nova atividade de quatro agricultores de Mariana (MG) e Barra Longa (MG). Viabilizada pela Fundação Renova por meio do Ater Viveiros Familiares, a implantação dos viveiros contou com o envolvimento das famílias, que enxergaram a oportunidade de recuperar áreas impactadas e de diversificar a renda, proveniente, em sua maioria, da produção leiteira.

Cada um deles recebeu cerca de 5 mil mudas. A capacidade das unidades produtivas soma 48 mil plantas. As primeiras safras serão absorvidas pela Fundação e utilizadas para recuperar áreas atingidas e outras regiões que demandam restauração da paisagem florestal. 

A estruturação dos viveiros foi feita com apoio técnico da Universidade Federal de Viçosa (UFV), que colaborou também com a descoberta de microrganismos que aumentam a tolerância da planta em solos com rejeitos e permitem manejo a baixo custo.

De acordo com Andréia Dias, analista do programa de Uso Sustentável da Terra da Fundação Renova, o objetivo principal do projeto é “promover a integração dos agricultores familiares na cadeia produtiva de sementes e mudas para estimular o empreendedorismo no ramo, diversificar a renda das propriedades rurais, fomentar a troca de saberes entre as universidades e os agricultores e ainda a criação de viveiros florestais na região, que carece desse mercado”, afirma.

Também foram realizadas capacitações com os produtores para o cultivo destas mudas. Os treinamentos foram ministrados com o apoio técnico de agricultores familiares e viveiros florestais mobilizados para produção de mudas nativas, com aplicação prática do estudo da UFV.

 

De acordo com Alex Ferreira de Freitas, responsável pelas capacitações, como as áreas são, muitas vezes, voltadas para a produção leiteira e agrícola, foi detectada a necessidade de implantação de sistema de irrigação automática. Assim, a nova atividade foi introduzida aos poucos. “Iniciamos as visitas semanais e quinzenais para oferecermos todo suporte tecnológico. O trabalho teve enorme adesão, foi muito bem aceito”, afirma.

O projeto Ater Viveiros Familiares integra o Programa de Recuperação da Área Ambiental, previsto pelo Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC).

 

Pesquisa pioneira

O estudo aplicado no Ater Viveiros Familiares faz parte de um convênio firmado entre a Fundação Renova, a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e a Fundação Arthur Bernardes (Funarbe) em 2018.

Foi comprovado que a revegetação emergencial no epicentro do desastre acelerou o aumento da diversidade de microrganismos fixadores de nitrogênio no solo. Devidamente isolados e inoculados no substrato, eles permitem a produção de mudas mais resistentes e de maneira mais rápida –

A presença destes microrganismos aumenta a tolerância ao ambiente de estresse, melhora o aproveitamento da adubação e otimiza o uso de insumos. “A inoculação também favorece a aclimatação das mudas em campo, diminuindo a mortalidade e a necessidade de replantio, minimizando gastos adicionais”, afirma a pesquisadora do Departamento de Microbiologia da UFV, Catharina Kasuya, à frente da pesquisa.

 


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