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MORADORES DE MARIANA E BARRA LONGA ASSISTIRÃO À PRÓPRIA HISTÓRIA RETRATADA NO TEATRO PELA PRIMEIRA VEZ


A montagem reúne fragmentos documentais e ficcionais sobre o impacto humano do maior desastre ambiental da história do país. Texto de Guiomar de Grammont

25/11/2018 às 10h13

No mês que marca os três anos do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, os moradores da região poderão ver a própria história ressignificada por meio do teatro. Trata-se da nova montagem do Grupo Teatro Andante, “LAMA”, elogiada pela crítica em sua curta temporada de estreia, em junho deste ano, e que terá duas apresentações gratuitas nos dias 30 de novembro, em Mariana, e 1º de dezembro, em Barra Longa.

 

Fruto de uma intensa pesquisa sobre o incidente e de uma experimentação que mescla diversas linguagens artísticas, o espetáculo tem direção de Marcelo Bones e é encenado por Ângela Mourão, Bruna Sobreira e Thiago Amador (ator convidado). “Estamos falando de relações humanas e do impacto do indivíduo sobre o ambiente em que se insere e vice-versa. Especialmente, nesse momento, nossa responsabilidade é imensa ao levar esse trabalho às pessoas que viveram na pele tudo isso”, analisa o diretor.

As apresentações do espetáculo em Mariana e Barra Longa têm o patrocínio do BDMG Cultural e da Cemig, além do apoio do Hotel Providência.

Sobre o espetáculo

O que nós podemos fazer por essa memória? O que nós podemos fazer para que não exista uma nova Bento Rodrigues soterrada e um rio morto? De que forma isso nos afeta? Como lidamos  com  essa  situação?  Lidamos?  Essas foram as indagações  presentes  no  processo  criativo dos atores. “Estamos a pouco menos de 200 km do rio Doce, e para nós já é fácil nos deixaresquecer e seguir em frente. Não encontramos solução para esses questionamentos, mas entendemos que ampliar a memóriacoletiva sobre essa história pode é parte da resistência”, ressalta a atriz Bruna Sobreira.

No processo de pesquisa, passando por contos de Marcelino Freire, escritor contemporâneo brasileiro, o grupo se deparou comuma história, na qual um homem solitário, que tinha sido afastado do lugar onde vivia, voltava a ele e não o reconhecia, encontrando-o destruído. “A partir daí começamos a trabalhar sobre a memória – o lembrar e o esquecer – e sobre o impacto de perder seu lugar, sua querência (para citar Galeano com seu lindo mini-conto). Rapidamente aproximamos de Mariana e sua terrível tragédia, que a todos nós havia tocado de alguma forma. Concluímos que precisávamos falar sobre isso”, relata a atrizÂngela

 

Construído em diálogo criativo com importantes artistas de diversas áreas, o espetáculo experimenta uma nova linguagem para o grupo, que une movimento, composição, sonoridade, vídeo e texto, com uma abordagem dramatúrgica documental e contemporânea. O Grupo Teatro Andante ousa em reunir pessoas distintas em torno de um projeto de espetáculo. “A ideiainicial era trabalhar com pessoas de linguagens diferentes para que uma narrativa fosse contada por vários ângulos, tensões ecódigos; Teatro, Música, Cinema e Dança. Veio a Lama e fomos impactados, depois ao pisar nela, sensibilizados a nos colocar a serviço daquelas pessoas, daquele acontecimento", ressalta o ator Thiago Amador.     

 

Alguns desses artistas já faziam parte da história do Andante, como Tarcísio Ramos Homem, que contribui na construção da dramaturgia do movimento cênico, equalizando a linguagem corporal dos atores durante a peça, e Guiomar de Grammont (dramaturgia e texto), que trouxe a questão da memória para o espetáculo, além de aproximar ainda mais os atores do local da tragédia. “Eles compuseram seus trabalhos com outros que tínhamos o desejo de trabalhar: Ricardo Alves Junior, quedireciona no espetáculo o ´olhar da câmera; Sérgio Pererê, que nos contaminou com a sonoridade ancestral e Cláudio Dias, que foi responsável pelo arcabouço do espetáculo, levantando com o grupo os primeiros materiais que estão ramificados portoda a obra”, explica Ângela.

 

“Optamos por mesclar linguagens, algo desafiador e novo para o grupo, mas mantivemos a trajetória de espetáculos engajados, críticos, além de poéticos e apurados artisticamente”, destaca Marcelo Bones.

 

Sobre o grupo

O Grupo Teatro Andante é atuante em Belo Horizonte desde 1990, quando foi fundado por Marcelo Bones e Ângela Mourão. Em seus 27 anos tem trabalhado ininterruptamente com a circulação de seus espetáculos em Belo Horizonte, Minas e todo oBrasil, além de uma significativa trajetória no exterior - Argentina, Venezuela, Colômbia, Panamá, Portugal, Espanha, Itália eAlemanha.

Seus espetáculos, tais como Olympia, BarbAzul, A História de Édipo, o Grande Cello e Musiclown, seguem as características que o Grupo desenvolveu durante toda a sua história, que são a pesquisa de linguagens, a apurada técnica cênica com a fácil comunicação popular, a descentralização artística e a difusão do teatro para parcelas da população que não têm acesso às casas de espetáculos e que estão fora dos eixos comerciais. O Andante tem a marca de realizar espetáculos com grande qualidade artística e técnica, mas que possam ser apresentados em espaços variados e para qualquer tipo de público.

O Grupo já circulou em 22 estados brasileiros com espetáculos e oficinas, se apresentando em temporadas, projetos diversos efestivais nacionais e internacionais.

Participa de intercâmbios artísticos e de movimentos teatrais locais, nacionais e internacionais, sendo fundador da Platô - plataforma coletiva para internacionalização.

Em 2013 realizou residência artística em Portugal onde construiu o espetáculo Travessia-um Espetáculo de Percurso eapresentou Olympia várias vezes, inclusive no Ano do Brasil em Portugal, na cidade do Porto e em Vigo, na Espanha. Feztambém a curadoria do Encontro Internacional de Palhaços de Fafe.

Ainda em 2013 membros do Andante participaram do espetáculo Antepenúltima Estação, com atores formandos do CEFAR-Fundação Clóvis Salgado, sob a direção e coordenação dramatúrgica de Ângela e direção técnica de Marcelo.

De 2014 a 2017 o grupo fez diversos festivais e circuitos por países latino-americanos, além de desenvolver grande atividade de formação pelo Sebrae, para grupos teatrais. Implantou, ainda, em 2016, o Observatório de Festivais (www.festivais.org.br).

Além disso, seus membros participaram de projetos diversos, tais como Ângela Mourão que dirigiu o espetáculo Receitas para não morrer de amor, estreado em 2017, e Marcelo Bones e Bruna Sobreira que produziram, em Belo Horizonte, o Festival do Teatro Brasileiro.

MARIANA

Dia 30 de novembro, sexta-feira

Horário: 20h

Local: Paço do Mestre (Rua Wenceslau Brasil, 497 - Centro - Mariana)

 

BARRA LONGA

Dia 1º de dezembro, sábado

Horário: 17h

Local: Escola Estadual Padre Epitáfio Gonçalves (Rua Matias Barbosa, 513 - Centro - Barra Longa)

 

 

FICHA TÉCNICA

 

Direção: Marcelo Bones

Atuação: Ângela Mourão, Bruna Sobreira e Thiago Amador Dramaturgia e texto: Guiomar de Grammont e GrupoTeatro Andante Diálogos Criativos:

View points e composição cênica: Cláudio Dias A câmera em cena: Ricardo Alves Junior

Movimento e composição cênica: Tarcísio Ramos Homem Sonoridades como construção cênica: Sérgio Pererê Cenário, objetos de cena, figurinos: Wesley Simões Iluminação: Marina Arthusi

Assessoria técnica audiovisual: Fabiano Lanna

Projeto Gráfico: Denilson Gomes | Solo Comunicação Cenotécnico: Nilson Santos

Produção: Ana Cecília

Realização: Grupo Teatro Andante

Foto: Clau Silva


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